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Como Ler Rótulo de Alimento: O Guia Completo

Publicado em 24.06.2026 |
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A embalagem é bonita, traz palavras que soam saudáveis, tem cara de "fit". Mas o que está dentro do produto realmente bate com a promessa do rótulo? Em outubro de 2025, um relatório do Ministério da Saúde mostrou que 62% dos 39 mil alimentos lançados no Brasil entre 2020 e 2024 são ultraprocessados.[1] Muitos deles aparecem na prateleira com discurso de saudável. Saber ler o rótulo é a única forma de não cair nessa armadilha.

Este guia foi feito para mulheres que treinam, cuidam da alimentação e querem decidir o que comem com base no que o produto é de verdade, não no que a embalagem diz que ele é.

Analisando Informações Nutricionais

A boa notícia: a rotulagem brasileira ficou muito melhor

Em outubro de 2022, entraram em vigor as novas regras de rotulagem nutricional definidas pela ANVISA na RDC 429/2020 e na Instrução Normativa 75/2020. Até outubro de 2024, todos os produtos no mercado brasileiro tiveram que se adequar.[2] A grande novidade foi a chamada lupa frontal, mas mudou muito mais do que isso. A tabela nutricional ficou mais clara, com fundo branco obrigatório e letras pretas. A declaração de açúcares totais e açúcares adicionados separadamente passou a ser obrigatória. E o valor por 100g ou 100ml virou regra, facilitando a comparação entre produtos.

Ou seja, hoje você tem em mãos muito mais informação do que tinha em 2021. O problema é que pouca gente sabe o que cada parte do rótulo significa. Vamos destrinchar tudo, começando pelo que mais salta aos olhos.

A lupa frontal: o primeiro alerta visual

Se você pegar uma caixa de biscoito recheado, um pacote de salgadinho ou uma lata de refrigerante de cola hoje, vai ver um ou mais selos com formato de lupa na parte da frente, dizendo "ALTO EM AÇÚCAR ADICIONADO", "ALTO EM GORDURA SATURADA" ou "ALTO EM SÓDIO". Esse é o aviso mais direto que o rótulo pode dar: o produto contém esse nutriente em quantidade que a ANVISA considera elevada.

Informação Nutricional Lupa

A regra para que a lupa apareça é objetiva e mensurada a cada 100 gramas ou 100 mililitros do alimento. Em sólidos, basta ter 15 gramas ou mais de açúcar adicionado, 6 gramas ou mais de gordura saturada, ou 600 miligramas ou mais de sódio. Em líquidos, os limites são menores. Quando o produto passa de algum desses limites, o selo é obrigatório.

A lupa não captura tudo

O sistema brasileiro escolhido foi mais conservador do que o sistema usado no Chile e na Colômbia, onde os alertas aparecem com critérios mais rigorosos. Por isso, muitos produtos ultraprocessados conseguem passar abaixo do radar da lupa. Especialistas em saúde pública apontam que, se o Brasil adotasse os parâmetros sugeridos pela Organização Pan-Americana da Saúde, praticamente todos os ultraprocessados teriam lupa.[3] Lupa nenhuma na embalagem não significa que o produto é saudável. Só significa que não passou dos limites mais conservadores. A análise precisa continuar.

A lista de ingredientes: a parte que diz a verdade

Se você só puder olhar uma coisa no rótulo, olhe a lista de ingredientes. Ela conta a história do produto melhor do que qualquer outra parte da embalagem. E tem uma regra de ouro fundamental.

Informação Nutricional

A ordem é decrescente

Os ingredientes aparecem na ordem da maior para a menor quantidade. O primeiro item é o que tem mais no produto. Isso muda totalmente a leitura: se você compra um "pão integral" e o primeiro ingrediente é farinha de trigo refinada, e a integral aparece só em terceiro ou quarto lugar, o produto tem mais trigo refinado do que integral. A ANVISA estabelece que pão integral precisa ter no mínimo 51% de farinha integral para receber esse nome, mas a forma de checar isso é pela ordem dos ingredientes.

O tamanho da lista também conta

Existe uma regra prática usada por nutricionistas: se a lista de ingredientes tem mais de cinco itens e você não reconhece pelo menos dois deles, provavelmente está diante de um ultraprocessado.[4] Alimentos in natura ou minimamente processados têm lista curta: o pacote de feijão tem "feijão". O leite UHT tem "leite, estabilizantes". Um suco de fruta natural deveria ter "fruta, água". Quando aparecem nomes como goma xantana, estabilizante INS 412, aroma idêntico ao natural, lecitina de soja, glutamato monossódico, monoestearato de glicerila, você está em outro território.

Açúcares ocultos: o jogo de nomes

O açúcar é provavelmente o ingrediente mais maquiado da indústria. Em vez de aparecer com seu nome direto, ele se camufla em dezenas de variações que muita gente nem reconhece como açúcar. Vale conhecer as principais para identificar de cara:

Nome no rótuloO que é
Sacarose Açúcar de mesa comum, refinado
Xarope de glicose Adoçante industrial barato e de alto índice glicêmico
Xarope de milho de alta frutose Forma concentrada e altamente processada
Maltodextrina Carboidrato derivado do milho, eleva glicemia tanto quanto açúcar
Dextrose Outro nome para glicose pura
Frutose Açúcar da fruta, isolada industrialmente
Açúcar invertido Mistura de glicose e frutose, usada para evitar cristalização
Mel, melaço, açúcar mascavo, açúcar demerara Açúcares "naturais" que continuam sendo açúcar do ponto de vista metabólico
Concentrado de suco de fruta Usado como adoçante disfarçado, especialmente em produtos "naturais"

Quando você vê dois ou três desses nomes aparecendo nos primeiros itens da lista de ingredientes, mesmo que nenhum deles se chame "açúcar" oficialmente, o produto é muito doce. Esse é um truque comum: usar três tipos de açúcar diferentes em quantidades menores em vez de um só em quantidade grande, fazendo cada açúcar individual cair para o meio da lista e parecer menos relevante. Somados, eles podem ser o ingrediente predominante.

Como analisar a Tabela Nutricional

A tabela nutricional: como ler do jeito certo

A tabela atual traz duas colunas para a maioria dos nutrientes: o valor por porção (definido pelo fabricante) e o valor por 100g ou 100ml. Para comparar produtos entre si, sempre use a coluna de 100g ou 100ml. É a única forma justa de comparação.

O tamanho da porção: o truque do fabricante

O fabricante define o tamanho da porção. E essa é uma das maiores armadilhas do marketing alimentício. Uma marca pode declarar que a porção do biscoito é "3 unidades = 30 g", mostrando 130 kcal por porção. Outra marca, do mesmo tipo de biscoito, pode dizer que a porção é "5 unidades = 50 g", mostrando 215 kcal. Comparar as duas porções diretamente engana, porque a referência é diferente. Por isso o valor por 100g é tão importante: ele iguala a base de comparação. Sempre verifique também quantas porções tem na embalagem. Se você come a embalagem inteira de chips de batata, multiplica o que diz a tabela por todas as porções.

O percentual de valor diário: o que esse número significa

A coluna de %VD (Percentual de Valor Diário) indica quanto aquele alimento contribui para a recomendação diária de cada nutriente, considerando uma dieta padrão de 2.000 kcal. Se uma porção tem 30% VD de sódio, ela corresponde a quase um terço do limite diário recomendado. Para nutrientes que você quer limitar (sódio, açúcar adicionado, gordura saturada), busque produtos com %VD baixo. Para nutrientes que você quer maximizar (fibra, proteína), busque %VD alto. Uma regra simples: valores acima de 20% VD são considerados altos. Abaixo de 5% VD são baixos.

Nutrientes que merecem mais atenção

Em qualquer rótulo, três informações merecem olhar especial: a quantidade de açúcares adicionados (separada dos açúcares totais desde 2022), o sódio em miligramas, e a gordura saturada. Esses três são os que a lupa frontal monitora, e por boa razão: o excesso deles está associado a doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2 e obesidade. Em paralelo, vale ficar de olho em fibras (quanto mais, melhor) e proteína (especialmente para quem treina e quer manter ou ganhar massa magra).

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Diet, light, zero, sem adição: entenda cada um

Esses termos parecem sinônimos e a indústria explora essa confusão. Cada um significa coisa diferente, e a diferença importa.

DIET

Ausência total de um nutriente específico

Regulamentado pela Portaria 29/1998. Indica que o produto foi formulado para atender uma necessidade alimentar específica, com isenção total de algum nutriente (em geral açúcar). Foi inicialmente pensado para pessoas com diabetes. Atenção importante: diet não significa menos calórico. Um chocolate diet pode ter mais calorias que o convencional porque, para compensar a ausência de açúcar, o fabricante muitas vezes aumenta a quantidade de gordura. Para emagrecimento, diet nem sempre ajuda. Para diabetes, sim.

LIGHT

Redução de pelo menos 25% de um componente

Regulamentado pela RDC 54/2012. O produto teve redução de no mínimo 25% de algum nutriente em comparação ao produto original. Pode ser açúcar, gordura, sódio ou calorias. Mas atenção: o fabricante é obrigado a especificar qual nutriente foi reduzido. "Iogurte light" pode ser light em gordura mas continuar com muito açúcar. Sempre cheque qual é a redução em destaque. Algumas marcas reduzem o nutriente em 25% e acrescentam outros ingredientes que pioram o perfil nutricional geral.

ZERO

Isenção total (ou quase total) de um nutriente

Indica ausência ou quantidade muito pequena de um nutriente específico (no máximo 0,5 g por 100 g ou 100 ml do alimento pronto para consumo). "Zero açúcar" significa que o produto tem no máximo 0,5 g de açúcares totais por 100 g. Mas o açúcar foi substituído por outras coisas: adoçantes artificiais (aspartame, sucralose), naturais (estévia) ou polióis (xilitol, sorbitol). Esses substitutos têm efeitos próprios sobre o organismo e ainda são objeto de estudo.

SEM ADIÇÃO DE AÇÚCAR

Não tem açúcar adicionado, mas pode ter açúcar natural

Esse termo confunde muito. "Sem adição de açúcar" significa apenas que o fabricante não adicionou açúcar durante o processo. Mas o produto pode conter açúcares naturalmente presentes nos ingredientes, como a frutose da fruta ou a lactose do leite. Um suco de uva integral é "sem adição de açúcar", mas tem muita frutose natural da uva. Para o corpo, do ponto de vista glicêmico, faz pouca diferença a origem do açúcar.

Zero lactose e sem glúten: o que cada um significa

Zero lactose

Pela RDC 727/2022, todo alimento que contém mais de 100 mg de lactose por 100 g ou ml do produto deve trazer a advertência "CONTÉM LACTOSE" em destaque, em caixa alta e negrito. Produtos "zero lactose" são feitos com leite mas têm a enzima lactase adicionada para quebrar a lactose, permitindo o consumo por intolerantes. Ponto importante que muita gente confunde: zero lactose não é a mesma coisa que sem leite. Quem tem alergia à proteína do leite (situação diferente da intolerância à lactose) não pode consumir produtos zero lactose, porque a proteína continua lá.

Tabela Nutritiva Leite Zero Lactose

Contém glúten / não contém glúten

Regulamentado pela Lei 10.674/2003, a declaração sobre glúten é obrigatória em todo alimento embalado no Brasil. Os produtos devem trazer "CONTÉM GLÚTEN" ou "NÃO CONTÉM GLÚTEN" em destaque. Esse alerta é fundamental para celíacos e pessoas com sensibilidade ao glúten. Vale lembrar: a maioria das pessoas não tem nenhum problema com glúten. A moda do "sem glúten" entre quem não tem indicação clínica é apenas estratégia de marketing. Cortar glúten sem necessidade pode até ser prejudicial, porque alimentos integrais ricos em glúten (como aveia e cevada) são fontes de fibras importantes.

Alergênicos: o aviso obrigatório

A RDC 26/2015 estabelece 18 grupos de alimentos que causam alergias alimentares mais comuns e devem ser obrigatoriamente declarados no rótulo. A lista inclui trigo, centeio, cevada, aveia, crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leites de todos os animais, amêndoas, avelãs, castanhas-do-pará, castanhas de caju, nozes, macadâmias, pistaches e pinoles.

A declaração aparece logo após a lista de ingredientes e segue dois padrões:

  • "ALÉRGICOS: Contém [nome do alimento]": quando o ingrediente alergênico foi adicionado de propósito à fórmula.
  • "ALÉRGICOS: Pode conter [nome do alimento]": quando o produto não contém o alergênico intencionalmente, mas existe risco de contaminação cruzada no processo de fabricação (compartilhamento de equipamentos ou linhas de produção).

Para pessoas com alergia, a diferença entre "contém" e "pode conter" é decisiva. Em casos graves, mesmo traços do alergênico podem provocar reação. Sempre leia essa declaração antes de consumir produtos novos.

Gordura saturada vs gordura trans: por que faz diferença

A diferença entre essas duas gorduras é um dos pontos onde a confusão é maior, e tem peso real para a saúde cardiovascular.

Gordura saturada

Encontrada principalmente em alimentos de origem animal (carne, manteiga, queijo, leite integral) e em alguns óleos vegetais (coco, palma). Em excesso, eleva o colesterol LDL (o "ruim"). As recomendações atuais limitam o consumo de gordura saturada a no máximo 10% das calorias totais do dia, ou cerca de 20 a 22 g para uma dieta de 2.000 kcal.

Gordura trans

Esta é a vilã de verdade. Foi criada industrialmente através do processo de hidrogenação de óleos vegetais, transformando óleos líquidos em gorduras sólidas (margarinas, biscoitos recheados, salgadinhos industriais). O problema é duplo: eleva o LDL e ainda reduz o HDL (colesterol "bom"). Nenhum nível de gordura trans industrial é considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde.

O Brasil baniu a gordura trans industrial

Por meio da RDC 332/2019, o Brasil baniu o uso de gorduras trans industriais nos alimentos. O prazo final de adequação foi janeiro de 2023. Hoje, qualquer produto vendido no país que ainda traga gordura trans em quantidade significativa está fora da lei. Dados do Ministério da Saúde de 2025 confirmam que gorduras trans não foram detectadas nos alimentos lançados nos últimos anos, mostrando que a regulação está funcionando.[1] O cuidado agora é com a chamada gordura trans natural (presente em pequena quantidade na carne e no leite de ruminantes), que é diferente da industrial e não tem o mesmo impacto. Mas continue verificando o rótulo, e desconfie se aparecer "gordura vegetal hidrogenada" ou "gordura vegetal parcialmente hidrogenada" na lista de ingredientes.

O que ainda fica oculto do rótulo

Apesar das novas regras, algumas informações ainda não aparecem com clareza:

  • Quantidade exata de cada ingrediente: a ordem decrescente ajuda a estimar, mas o percentual de cada item raramente é informado.
  • Origem dos ingredientes: raramente é especificada (o leite vem de qual região? a aveia é nacional?).
  • Pesticidas e agrotóxicos: não aparecem no rótulo de produtos convencionais. O selo orgânico, quando presente, é o único indicador.
  • Aditivos cosméticos: corantes, aromatizantes e outros aditivos cuja função é apenas dar aparência, cor ou sabor (sem função técnica) aparecem na lista, mas sem destaque especial. Quando aparecem, são fortes indícios de ultraprocessamento.
  • Grau de processamento: a classificação NOVA (in natura, processado, ultraprocessado) não aparece no rótulo brasileiro. Você precisa avaliar pela lista de ingredientes.

O que é um produto "clean label"?

O termo "clean label" não tem regulamentação oficial no Brasil nem na maioria dos países. É um conceito de marketing usado para descrever produtos com lista de ingredientes curta, com nomes reconhecíveis, sem aditivos artificiais. Tipo "menos é mais" aplicado ao rótulo.

Na prática, um produto verdadeiramente clean label tem três características: lista curta (até cinco ingredientes), nomes que você conhece (frutas, grãos, especiarias, sal, óleo), e ausência de aditivos com siglas químicas (corantes, conservantes artificiais, estabilizantes industriais). Iogurte natural integral é clean label. Castanhas torradas sem sal são clean label. Pasta de amendoim feita só com amendoim é clean label. A maioria dos "biscoitos fit", "barrinhas proteicas" e "pães zero" não é, mesmo com a embalagem sugerindo o contrário.

A classificação que mais importa: a NOVA

Criada pelo nutricionista brasileiro Carlos Monteiro e equipe da USP em 2009, a classificação NOVA agrupa todos os alimentos em quatro categorias baseadas no grau de processamento, não no perfil nutricional.[5] Essa classificação foi adotada pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2014 e ainda em vigor.[6]

GrupoO que éExemplos
1. In natura ou minimamente processados Alimentos da natureza ou que passaram apenas por processos como secagem, moagem, fermentação não alcoólica Frutas, verduras, legumes, carnes frescas, ovos, leite, arroz, feijão, café em grão
2. Ingredientes culinários processados Substâncias extraídas de alimentos in natura para temperar e cozinhar Sal, açúcar, óleos vegetais, manteiga, mel
3. Alimentos processados Alimentos in natura aos quais foi adicionado um ingrediente do grupo 2 para preservar ou modificar o sabor Queijos, pães caseiros, conservas em salmoura, frutas em calda
4. Alimentos ultraprocessados Formulações industriais com vários ingredientes, incluindo aditivos cosméticos, e pouco ou nenhum alimento do grupo 1 Refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos, sopas instantâneas, refeições congeladas, "barrinhas fit"

A recomendação central do Guia Alimentar é: priorize alimentos in natura ou minimamente processados, use os ingredientes culinários em moderação, prefira alimentos processados simples e evite ao máximo os ultraprocessados. Essa orientação faz mais diferença para a saúde do que qualquer cálculo calórico.

Outras curiosidades que pesam no dia a dia

Aspartame e fenilalanina

Todo produto adoçado com aspartame deve trazer a advertência "CONTÉM FENILALANINA". Essa informação é vital para pessoas com fenilcetonúria, uma doença genética que impede a metabolização desse aminoácido. Para a maioria das pessoas, a fenilalanina é inofensiva.

"Natural" não tem regulamentação

O termo "natural" no rótulo não tem definição legal no Brasil. Qualquer produto pode trazer essa palavra. Um suco "natural" pode conter conservantes, aromatizantes idênticos ao natural (que são artificiais) e ácido cítrico industrial. Sempre vire a embalagem e leia a lista de ingredientes.

"Integral" tem critérios específicos

Para um pão ser chamado "integral", ele precisa ter pelo menos 51% de farinha de trigo integral. Para arroz "integral", apenas o grão não foi polido. Para iogurte, o termo se refere ao teor de gordura do leite usado (sem desnate). Cada categoria tem suas regras.

"Sem conservantes" pode ser irrelevante

Alguns alimentos não precisam de conservantes por causa da própria composição (alto teor de açúcar, sal ou acidez já preservam). Anunciar "sem conservantes" em um mel, por exemplo, é redundante: mel não estraga e não usa conservante mesmo. É um truque de marketing comum.

Checklist prático para o supermercado

Antes de colocar no carrinho, passe pelos 7 passos

1Olhe a frente da embalagem. Tem lupa "ALTO EM"? Se sim, já é um sinal forte de moderação.
2Vire o produto e leia a lista de ingredientes. Se tem mais de cinco itens e nomes que você não reconhece, provavelmente é ultraprocessado.
3Identifique os primeiros três ingredientes. Eles representam a maior parte do produto. Açúcar, xarope ou farinha refinada entre os primeiros indica produto pouco interessante nutricionalmente.
4Cheque a tabela nutricional por 100g ou 100ml. É a única forma justa de comparar produtos.
5Avalie o %VD de açúcar adicionado, sódio e gordura saturada. Acima de 20% é alto.
6Verifique a presença de alergênicos. Especialmente se você ou alguém da família tem alergia ou intolerância.
7Ignore as alegações da embalagem. "Natural", "fit", "saudável", "artesanal" no painel frontal não significa nada legalmente. Só a lista e a tabela contam.

Inspirações de looks para a sua rotina

Perguntas frequentes

Depende inteiramente do que tem na embalagem. Muitos produtos vendidos como "fit" são apenas versões com menos açúcar ou menos gordura, mas continuam ultraprocessados, com listas longas de ingredientes e aditivos. Comparar a lista de ingredientes do produto "fit" com a versão tradicional e com um equivalente in natura é o melhor jeito de decidir. Em muitos casos, comer aveia em flocos com fruta sai mais barato e mais saudável do que uma "barrinha proteica fit".

Selos têm pesos diferentes. Selos oficiais regulamentados (orgânico, livre de glúten para celíacos, kosher, halal) são confiáveis dentro do que prometem. Já selos criados pela própria marca (do tipo "selo de qualidade tal coisa") são frequentemente apenas marketing sem certificação externa. Verifique se o selo tem uma certificadora independente reconhecida.

Alegações como "ajuda a controlar o colesterol" ou "auxilia no funcionamento intestinal" precisam de aprovação da ANVISA e têm base científica para serem usadas. O efeito real depende do consumo dentro de uma alimentação balanceada e em quantidade adequada. Um iogurte "que ajuda na imunidade" não compensa uma dieta rica em ultraprocessados. O produto sozinho não opera milagres.

Quando elas estão embaladas e prontas para venda, sim. Vegetais picados em sacos, frutas em bandejas e saladas prontas podem trazer conservantes e aditivos. Quando você compra a granel ou a fruta inteira, a lista de ingredientes é a própria fruta. Por isso o Guia Alimentar recomenda priorizar in natura.

Os três são considerados seguros pela ANVISA dentro dos limites de consumo recomendados. Cada um tem características diferentes. O aspartame é o mais antigo e mais estudado, mas não pode ser consumido por quem tem fenilcetonúria. A sucralose é estável em altas temperaturas, indicada para preparações que vão ao forno. A estévia é a única de origem natural, vinda de uma planta sul-americana, mas tem sabor residual que muitas pessoas não gostam. A Organização Mundial da Saúde recomenda evitar o uso de adoçantes não calóricos para controle de peso a longo prazo, sugerindo redução geral do consumo de doces.

Não necessariamente. "Sem adição de açúcar" significa apenas que o fabricante não adicionou açúcar durante a fabricação. O produto pode ter açúcares naturalmente presentes (frutose, lactose, açúcar da própria matéria-prima) e até maltodextrina, que eleva a glicemia tanto quanto açúcar comum. Para diabéticos, o termo correto a buscar é "zero açúcar" ou "diet com isenção de açúcar". Sempre confirme com nutricionista ou médico.

Pode. A ANVISA realiza fiscalização por amostragem, mas a maior parte das tabelas é declarada pelo próprio fabricante com base em cálculos ou análises laboratoriais. Variações pequenas são esperadas. Erros grosseiros são raros e sujeitos a penalidades. Em caso de suspeita, é possível denunciar à vigilância sanitária local.

Cuidado completo: o que você come, o que você veste

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Este conteúdo é informativo e foi elaborado com base nas normas vigentes da ANVISA (RDC 429/2020, IN 75/2020, RDC 727/2022, RDC 26/2015), na Lei 10.674/2003 e no Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde, 2014). Não substitui orientação nutricional individual. Pessoas com condições clínicas específicas, restrições alimentares, gestantes ou em tratamento médico devem consultar nutricionista ou médico para orientações personalizadas.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Relatório aponta que, em quatro anos, 62% dos novos alimentos embalados comercializados no Brasil eram ultraprocessados. Out/2025. gov.br/saude
  2. ANVISA. Resolução de Diretoria Colegiada - RDC nº 429, de 8 de outubro de 2020. Dispõe sobre a rotulagem nutricional dos alimentos embalados. gov.br/anvisa
  3. Reportagem O Joio e O Trigo. Ultraprocessados seguem sem regulação, uma década após lançamento do Guia Alimentar. Nov/2024. ojoioeotrigo.com.br
  4. Monteiro CA, et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutr. 2019;22(5):936-941. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30744710
  5. Monteiro CA, et al. A classificação NOVA de alimentos: critérios para identificação. Rev Bras Epidemiol. 2025;28:e250027. scielosp.org
  6. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª edição, 2014. bvsms.saude.gov.br

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